A África e a liberdade. Entrevista com Luandino Vieira

Autor

Leo Gilson Ribeiro

Resumo
Jornal da Tarde, 1987/01/03. Aguardando revisão.

À primeira vista, bronzeado, com seu ar franco, ele parece um fazendeiro do Centro-Oeste brasileiro. Depois, o sotaque angolano, uma harmoniosa mistura de português lisboeta com a doçura da pronúncia vagarosa das sílabas, à moda africana ou brasileira, revela a sua verdadeira nacionalidade.

José Luandino Vieira, já muito conhecido no Brasil como possivelmente o mais extraordinário talento literário de Angola é presidente da União (Sindicato) de Escritores Angolanos e autor de obras-primas como Luuanda, A Cidade e a Infância, A Vida Verdadeira de Domingos Xavier, Macandumba etc.

Durante sua recente estada no Brasil, esse escritor realmente excepcional no panorama da literatura contemporânea mundial concedeu esta entrevista ao Jornal da Tarde.

Luandino Vieira, você parece não fugir à regra de que a prisão forja grandes escritores. Afinal, você passou doze anos no cárcere e prisioneiros estiveram Graciliano Ramos, Solzhenitsyn, Dostoievski, Tchekhov, Oscar Wilde e tantos mais. O que o encarceramento representou para você, tão longo que foi?

“Eu penso que essa capacidade de o escritor escrever na prisão está talvez intimamente ligada à condição do escritor que é sempre, em última instância, uma condição de solitário. Escrever é sempre, em última instância, um ato de muita solidão. Quando o escritor está escrevendo, penso que ele está absolutamente só com ele próprio e está só acompanhado de toda a Humanidade, que é o que ele tem dentro de si. A sua experiência, a sua vivência, suor, leituras que cimentam a realidade. Para certos tipos de personalidade, digamos de organizações psíquicas, a prisão pode ser um momento propício a essa solidão necessária à criação”.

Você se refere aos mais introspectivos?

“Pois, os mais introspectivos, os mais contemplativos. Agora a dureza da situação da cadeia pode sempre sobrepor-se a essa necessidade de solidão e pode também aniquilar qualquer capacidade de criação”.

Não foi a sua experiência…

“Eu tive de certo modo a felicidade de estar continuamente, a partir do 3º, 4º ano de prisão, com muita gente. Não eram prisões solitárias: eram casernas, compartilhadas por muitos companheiros. Isso nos dava a sociabilidade fundamental para ir recarregando as baterias de humanidade. E depois no recreio, no pátio, no momento de apanhar sol eu teria, se quisesse, o meu momento de solidão, que eu aproveitava para escrever”.

Que papel você usava para escrever, que papel lhe davam?

“Nós vivíamos no campo de concentração, a 7 km de uma vila, e toda semana saía um guarda com uma lista para fazer compras e invariavelmente eu era comprador de 4 u 5 cadernos do tipo escolar”.

Os cadernos eram permitidos?

“Sim, porque como nós tínhamos uma escola de instrução primária dentro de nossa caserna, com os companheiros analfabetos, todo esse material era tido como material para ensinar as primeiras letras”.

E você é que lecionava?

“Eu era o professor de adultos analfabetos e assim sempre e pensou que esses cadernos me serviam não para escrever, mas corrigir as redações dos alunos”.

E, como você ressaltou, você ficou fascinado com o vocabulário dessas pessoas?

“Claro, encontrei aí camponeses, pequenos funcionários, e tinham vocabulários derivados de suas línguas maternas, corrompidas pelo português originalíssimo que, de fato, me fascinava. Estavam todos esses falares reunidos ali e eu só tinha que ser sensível ao valor estético, literário, dessas linguagens”.

As cadeias mantinham um apartheid no seu interior?

“Não, as forças colonialistas nos colocavam todos juntos. Aliás, diziam: ‘Bom, vocês não estão todos juntos na luta de libertação? Então estão também todos juntos nas consequências das lutas de libertação!’ O que nós achávamos correto, pois entre nós nunca houve esse tipo de divisões, não é?”

Mas que tipo de contato você mantinha com a Literatura, por exemplo?

“Bom, isso é um caso muito difícil, porque enquanto estivemos presos em Luanda, a presença das famílias, a pressão das famílias faziam com que sempre tivéssemos visitas. E nos traziam livros, jornais, embora censurados, mas o princípio da leitura mantinha-se. Agora, quando passamos para Cabo Verde, perdidos no Atlântico, esse princípio acabou. Nesse arquipélago, estávamos na Ilha de Santiago e, ali, na prisão de Tarrafal. Então, ali não era permitida leitura de nenhuma espécie, durante muitos anos. Depois, pouco a pouco, foi abrindo, com o Jornal Desportivo, um que outro livro. Mas o objetivo daquele campo era o de destruir psicologicamente as pessoas. Materialmente não podíamos trabalhar, nem trabalhos forçados nos eram permitidos”.

Por quê?

“Porque o arquipélago era tão pobre, tão miserável que se utilizassem presos nas obras públicas a população ia reclamar, pois íamos tirar-lhes o emprego”.

No entanto, não foram 12 anos estéreis para você.

“Nem para mim nem para muitos de meus companheiros. A grande maioria aproveitou. Quando mais não fosse, os analfabetos aprenderam a ler, a escrever; os que tinham o 1º ciclo do liceu passaram ao segundo ciclo, outros estudaram até contabilidade e outras matérias que lhes foram úteis quando conquistaram a liberdade”.

Ali, a prisão era um microuniverso.

“É isso, era um microuniverso, mas um microuniverso que prefigurava o país que íamos ter”.

E de onde se originou a sua vontade de escrever livros? Em prol de uma ação política? A favor da justiça social?

“Minha infância explica muita coisa. Eu tive uma infância de menino pobre nas favelas de Luanda chamadas mussegues, com todos os meninos de minha idade, branco, preto, mestiço, português, angolano. Isso deu o caldo cultural que me fez uma criança irrequieta, com um determinado tônus cultural diferente do dos filhos da burguesia colonial. Aí havia um companheiro, Antônio Jacinto, que tinha uma biblioteca muito boa e ele, quando nós tínhamos dez, onze anos, nos meteu um vírus que era o de fazermos jornais manuscritos. Então, todos começamos como jornalistas-mirins. Quando eu me convenci mesmo que tinha jeito para escrever e tinha escrito, como dizem os brasileiros, uma série de bobagens, aí ele começou a me dar livros de Steinbeck, Machado de Assis, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Zé Lins, Rachel de Queiróz… Porque nesse tempo os mais velhos recebiam muitos livros brasileiros..”

Que não eram censurados?

“Iam assim de forma semiclandestina, eram marinheiros que os levavam… Então, a partir daí ele me dizia: em vez de escrever bobagens é melhor você escrever sobre o que está à sua volta, sua cidade, sua infância. Então a literatura foi servindo para meu conhecimento da realidade social e a realidade social valendo à minha literatura. Portanto, a consciência política foi acompanhando a consciência literária e vice-versa. Até se dar uma fusão das duas que é hoje difícil para eu separar”.

Mas você nunca permitiu que a parte política interferisse na parte estética?

“Não, ela interfere só na medida em que o modo como eu vejo o mundo e os problemas do mundo enfoca o modo como eu vejo literariamente os problemas, quer dizer: é interior. Agora, no momento de escrever, quando eu escrevo, eu não tenho nenhuma preocupação política de maneira expressa”.

Você não faz panfletarismo ideológico?

“Não, não! A mim o que me interessa é o homem total, a complexidade do homem. E, no caso concreto, o homem angolano, e este homem angolano não pode ser compreendido sem a dimensão política, porque a política é um dos fatores fundamentais em nosso país, que é a destruição de uma imposição colonial e a criação de um país novo. Uma pátria nova, feita dos bocados das nações antigas que ficaram pelo caminho em cinco séculos de História”.

Além do retalhamento, pelas nações europeias, de território africano… Agora, se você permite a pergunta: você é marxista?

“A minha formação é marxista. Quer dizer: li tudo, li muita coisa e sou ainda hoje um leitor assíduo da Bíblia. Agora, a minha visão é uma visão do mundo que assenta fundamentalmente no pressuposto de que a vida material, portanto transformação radical material, o aspecto material de uma sociedade é que pode criar condições para uma nova vida espiritual. Isto, de uma maneira muito esquemática, porque sabemos que a vida espiritual reage sobre a base material e também atua sobre ela”.

O próprio Marx reconhecia a existência do espírito.

“Exatamente! Não, nunca negar a essência do espírito! O espírito é o que o homem tem de mais elevado e desenvolvido na sua materialidade”.

Nós sabemos que Angola se defronta com as forças da Unita, de Jonas Savimbi, e não temos nenhuma bola de cristal para prever o futuro de Angola. Mas como é o presente de Angola e da sua literatura? Além de você e Manuel Rui – e evidentemente o presidente morto, Agostinho Neto – pouco se conhece aqui dos autores angolanos. Quais são os outros ou os mais importantes, a seu ver?

“Nossa União de Escritores tem inscritos 63 escritores, muitos são ainda muito jovens para podermos falar, outros não podem ter para o público brasileiro um grande significado. Mas dezenas de escritores, pelo menos, teriam muita ressonância junto ao público brasileiro, se seus livros pudessem chegar ao público brasileiro. Umas das características da nossa literatura é um profundo compromisso com a realidade; é uma literatura que para além do valor ou desvalor estético tem uma grande carga de informação”.

Incluindo depoimentos de recuperação histórica?

“Sim, informação e depoimentos históricos de um passado recente e do presente. O presente angolano é um presente muito difícil por causa da guerra de agressão da África do Sul. Bom, fundamentalmente é a questão da Namíbia, nós sabemos que é ela que determina todo esse posicionamento da África do Sul em relação a Angola. Incluindo a invasão, a ocupação do território e o armamento, o financiamento du grupo de Jonas Savimbi para desestabilizar totalmente a nossa vida. Basta dizer que o nosso Estado, que não é um Estado rico..”

Potencialmente, sim.

“Ah, sim, mas falta desenvolver as potencialidades. E é isso que não nos permitem. Angola é um Estado que saiu de uma situação colonial, portanto não podia ter muita riqueza, gastara a quase totalidade dos recursos na defesa e na segurança do país. O que resta para a saúde pública, a educação, cultura, é muito pouco. Então, nessa situação, a literatura se desenvolve mais devagar do que poderia. Porque veja: um livro de poemas em Angola tem que ser publicado com uma tiragem de pelo menos dez mil exemplares, senão não chega para fazer a primeira distribuição. Nós só podemos publicar 2, 3, 4 livros por ano. Quando, na realidade, há muitos mais livros e muitos leitores ávidos de leitura. Esses recursos que vão para a guerra condicionam também o desenvolvimento de nossa literatura.

Depois há outros fatores: os autores estão muito empenhados no trabalho da vida social, não podem dedicar-se à literatura, têm pouco tempo de ócio, que é necessário para a criação da literatura. Não há possibilidade de edição de gazetas literárias, jornais literários. O nosso próprio jornal diário, de circulação nacional, só tem uma página para as artes e as letras, aos domingos. Só agora começa a aparecer uma coluna cultural dia sim, dia não, no jornal”.

Trata-se de um jornal único? Isso não elimina uma pluralidade de visões?

“Não, esse é o jornal nacional, que se publica em Luanda, mas há vários jornais em várias províncias”.

Com várias tendências?

“Várias tendências, não, várias correntes de opinião dentro da nossa unidade, que têm sido fundamentais para enfrentar a situação de guerra. Porque, se não houver uma unidade nacional muito grande e uma unidade de princípios e uma unidade de pontos de vista, nós como país recente e que desde 1961 não deixa de estar em guerra será muito difícil sobreviver. E o primeiro direito e o primeiro dever que a República de Angola tem para com o seu povo é este: o de sobreviver”.

Mas os escritores angolanos teriam total liberdade de expressão nessas circunstâncias?

“Os escritores angolanos têm total liberdade de expressão e representam várias correntes de desenvolvimento de uma literatura. E até hoje não há memória, desde 1975, de qualquer livro que tenha sido ou rejeitado, a não ser por motivos literários, ou mesmo, se asperamente criticado, retirado do acesso público. Isso não existe entre nós. E somente o Conselho Editorial da União de Escritores Angolanos é o único órgão que aprecia os originais antes de publicar, constituído exclusivamente por escritores membros da União”.

Não há, por assim dizer, um imprimatur?

“Não há imprimatur nenhum. A União, funcionando como editora, tem as suas limitações nas verbas e na sua política editorial. Quer dizer: se houver possibilidade de editar apenas um livro, a escolher entre um livro de prosa, um de poesia e um ensaio, dá-se preferência ao ensaio, porque consideramos que esse estudo vai contribuir para o alargamento do conhecimento ou, se um romance, um livro de ficção for de muito alta qualidade, joga em primeiro lugar qualidade literária e em segundo a estratégia do desenvolvimento da nossa literatura”.

No entanto, o Manuel Rui, não me lembro em qual livro, talvez Regresso Adiado, deixa claro que faz críticas à presença cubana, à presença soviética em Angola.

“Sim, bem, eu não diria isso. O livro dele mais polêmico é Quem me dera ser Onda. Este é um livro que critica, faz uma crítica social a uma série de tendências pequeno-burguesas de oportunismo, de covardia social, aproveitamento de recursos sociais em favor do indivíduo e esse livro já tem duas, três edições neste momento. E foi premiado. Outro livro também controverso saiu há pouco tempo, do Pepetela, O Cão e os Calouros, é a reprodução linguística de comportamentos anti-sociais, comportamentos pequeno-burgueses, de reminiscências de erros do passado que estão na nossa sociedade e a emergência de erros presentes. E tudo isso está em letra de fôrma, o livro vendeu quinze mil exemplares, está esgotado, estamos preparando a reedição. Portanto, nesse aspecto, os escritores angolanos não têm do que se queixar”.

Eles leem a imprensa ocidental, por exemplo?

“O problema da imprensa que entra em Angola é que nossas divisas para compra de coisas exteriores são muito poucas. Então nós temos carência de bibliografia. Isso é verdade. Muitas revistas chegam em um, dois exemplares, que um amigo manda a outro amigo, que este por sua vez faz circular. Não é porque não possa circular massivamente, é porque não pode ser comprada massivamente. Porque a prioridade é para o livro técnico, escolar didático”.

E com relação ao Brasil, vocês têm contato?

“O contato com o Brasil, que no tempo do colonialismo já foi muito forte, está agora a ser reaberto em novos moldes. O contato econômico com o Brasil é que aumenta dia a dia, a olhos vistos: Braspetro, Petrobrás, Odebrecht etc. Isso tira proveito do capital cultural brasileiro acumulado durante séculos, mas ao mesmo tempo leva atrás de si o novo, a nova dimensão cultural do Brasil, que está chegando a todos nós. A relação entre a literatura brasileira e a literatura angolana vai ampliar-se muito rapidamente e penso eu que com muita vantagem para ambas as partes. Pelo menos eu, como escritor, sinto que sempre aprendo alguma coisa com a experiência literária de meus colegas brasileiros”.

E no tocante ao idioma, na sua opinião, a língua portuguesa predominará em Angola diante das outras línguas nacionais?

“Na minha opinião Angola continuará a usar a língua portuguesa como língua oficial, porque eu não vejo outra língua que se possa desenvolver com rapidez para se comunicar internacionalmente”.

As demais línguas autóctones são orais?

“Já fixamos, com o alfabeto, seis línguas, com gramática, léxico e com manuais de alfabetização escritos nessas línguas”.

Começando com o quimbundo?

“O quimbundo, umbundo, quicongo, xoquê, bunda e pahá. Falo mal o quimbundo, eu o escrevo melhor”.

O português tem mais ou menos o mesmo papel que o inglês na Índia para intercomunicação de povos de línguas diferentes entre si?

“Sim, desempenha esse papel. O português é a língua oficial, é a língua da escolaridade e é a língua materna de uma grande quantidade de angolanos, embora não tenhamos inquéritos (pesquisas) a esse respeito. O propósito é que cada angolano preserve sua herança cultural; o português viverá em plano de igualdade com as línguas nacionais”.

Há ainda muitas rivalidades tribais? Há racismo?

“Racismo não existe, existe preconceito racial: a mentalidade das pessoas, mesmo que desapareçam as condições objetivas (propícias ao racismo), mudança de mentalidade se dá de forma mais devagar. O aspecto de tribalismo foi muito reavivado durante o colonialismo, pois como o colonialismo português se baseava no trabalho forçado ele propositalmente misturou todas as populações e profissões: havia plantadores de café tentando ser pescadores e pescadores a colher café. Na realidade, o colonialismo destribalizou o país, desenraizou as pessoas de suas próprias culturas, de suas terras. Em certo sentido foi bom porque hoje o tribalismo só existe secundariamente: as pessoas são em primeiro lugar angolanas, depois é que são de origem quimbundo etc. O Exército joga um papel muito importante nisso porque ali se vão verificando as diferenças e as semelhanças. Além do Exército, o futebol também é um fator importante: equipes do Norte e do Sul se defrontam e populações que se desconheciam mutuamente se dão conta de que ‘afinal, somos todos iguais’”.

E as culturas autóctones estão sendo, então, preservadas?

“Ah, sim: a música, a dança, as artes plásticas fundamentalmente, além da culinária, certas formas de vestir, de decorar a casa, que se vão mantendo enquanto a industrialização e a urbanização não chegarem, não é? Eu mesmo sou um exemplo dessa pluralidade de culturas que existe em Angola. Há a influências europeia sobre populações africanas e vice-versa. Eu, filho de portugueses, educado em escola de feição nitidamente portuguesa, tinha porém a rua, os meninos do bairro, e a influência do quimbundo se fez sentir fortemente em mim. Angola, variam os casos de aculturação, é estranhamente isto. A convivência fecunda de etnias e culturas diversas, sem eurocentrismos nem predominâncias culturais obsoletas”.

Reuso

Citação

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Gilson Ribeiro, Leo. 2022. “A África e a liberdade. Entrevista com Luandino Vieira .” In Racismo e literatura negra, edited by Fernando Rey Puente, 1:undefined. Textos Reunidos de Leo Gilson Ribeiro. https://doi.org/10.5281/zenodo.8368806.