A esperança de chegar um dia a ter esperança. Hilda Hilst esta é a literatura que eu escrevo

Autor

Leo Gilson Ribeiro

Resumo
Interview, n. 82, 1985. Aguardando revisão.

Sem alardes, pouco a pouco, a escritora paulista Hilda Hilst conquista a França, a Oropa e a Bahia. O mais pretigioso e severo jornal de Paris, Le monde, dedicou-lhe um espaço e um destaque, em seu Suplemento Literário, normalmente só concedido a Borges, a Beckett, a Céline. O crítico Jorge Coli não mediu superlativos: a poesia de Hilda Hilst representa a perfeição da escritura qualitativa que torna a literatura brasileira uma das poucas de ressonância mundial.

Hilda Hilst? Mas, aquecendo com as mãos o uísque on the rocks em sua cobertura sofisticadíssima de Ipanema, uma elegante diariamente colunável indaga: é em português que escreve essa moça? Uma contemporânea da escritora, mais maldosa, pergunta com malícia a lhe escorrer dos cantos dos lábios que a maquiagem sublinha como a ruga definitiva da cordilheira que sulca seu rosto: Imagine, depois de causar escândalos na sociedade de São Paulo, casou-se com um escultor e renunciou ao nome Almeida Prado parA escrever essas “porcarias”, essas “indecências”, concluiu. E seu muxoxo de desprezo enquanto manda servir o jantar abarca toda a floresta petrificada de prédios que circundam sua milionária mansão na Chácara Flora. “Que decadência!!” seu olhar fuzila, terminante, para encerrar uma conversa visivelmente sem propósito de parte a parte.

Hilda Hilst, 50 anos proclamados gostosamente a todos que queiram e também a todos que não queiram ouvi-la, ri às gargalhadas em sua fazenda austera, perto de Campinas, que muitos creem estar povoada de fantasmas que lhe sussurram frases e apelos depois que no programa Fantástico, da TV Globo, ela falou de suas gravações com as vozes do Além:

“Já estou acostumada a que me chamem de tudo, de cortesã insaciável à la Lucrécia Bórgia (”stanca, ma non soddisfatta”), a bruxa e hermética, que escreve em dialetos perdidos da Mesopotâmia ou quem sabe em sânscrito? A verdade é que realmente larguei assim de repente as rodas sociais, nunca quis fazer nada com meu diploma da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo, a não ser pendurá-lo na parede. Por quê? Porque eu senti a urgência do Tempo que escorre rápido e compreendi que precisava me isolar para meditar profundamente sobre tudo que é decisivo: o conhecimento de nós mesmos, da natureza, convivência com o próximo, o amor, a morte, o envelhecimento, o artista, a transcendência ao mesmo tempo lírica e metafísica da vida e de Deus, da crueldade, do júbilo, da paixão.”

Os livros de Hilda Hilst, Ficções, A Obscena SenhorA D, etc, completaram o estarrecimento, a perplexidade do leitor de achar que a leitura é apenas um entretenimento agradável. Uma sucessão agradável: um best-seller antes, outro depois, tudo arrumadinho entre o escritório e as lides domésticas, a reunião de cúpula e a reunião de cópula, sem atrapalhar nem dividendos nem compromissos sociais ou de alcova. Mas que autora louca é essa que fala de um homem que busca Deus… e Deus reponde? Que mensagem politicamente engajada contra os militares haverá, cifrada, no homem que queria sodomizar uma porca? E o conteúdo social do paupérrimo trabalhador das salinas que dá banho na mãe escura e a leva a feira para vendê-la, pois lá se compra “até merda”?

Essa mistura de “depravação com animais”, de misticismo extremado, de “loucuras impensadas” formava um coquetel pefeito de horror para quem acerta a corda do relógio da sala pelo dia – sábado – em que os casais sem imaginação bocejam diante do cumprimento do dever conjugal naquele dia. Uma mulher que usa palavrões como um chofer de caminhão tampouco entusiasma as pias Senhoras de Santana, bairro paroquiano que a Rainha Vitória legou a São Paulo. E como recomendar seus livros para quem frequenta colégios católicos que viam em João XXIII um herético, quem sabe até um anarquista que galgara o trono no Vaticano?

Hilda Hilst, como os grandes escritores, Kafka, Proust, E. M. Forster, Virgínia Woolf, Doris Lessing, tem tudo para desagradar. Não é que como o “chatíssimo” James Joyce e o “ilegível” Guimarães Rosa ela inventa palavras? E para que toda aquela algaravia de misturar no mesmo texto, como se fosse um liquidificador enlouquecido, “palavras de baixo calão” e uma Busca religiosa digna, para quem soubesse de sua existência, dos poetas metafísicos ingleses do século XVII? Definitivamente Hilda Hilst era “maçante”. Fazia pensar! No país lânguido das falcatruas chics dos Mários Garneros e Tieppos, no Brasil das gloriosas Escolas de Samba, desfilando na avenida asfaltada por lucros de bicheiros, nas plagas do Tricampeão Mundial de Futubol (é verdade que derreteram o ouro da Taça Jules Rimet, mas isso não importa), quanto mais longe do cérebro melhor. José Mauro de Vasconcelos “fala ao coração” com suas rosinhas-canoas e seus pés de laranja-lima? É sucesso de vendagem certo. No gramado inteligentemente arquitetam jogadas magistrais com os pés? Melhor ainda, o cérebro tem que descansar, afinal, ninguém é de ferro!

Impassível, a assombrosa poeta e pensadora continua com a sua filosofia: “Leo – me disse numa entrevista -, diante da voracidade que existe na natureza, eu concluí que no homem está embutido no seu código genético ou na estrutura da alma do homem essa célula de ódios múltiplos; por mais que eu quisesse repensar tudo isso fica sempre isso, o imutável: o terrível da aranha devorando a borboleta, nós nos alimentando uns dos outros – que otimismo lúcido eu poderia ter diante dessa vorcidade diária? E hoje, então, em que vemos essa voracidade se aliar à crueldade gratuita, à violência de povos contra povos, raças contra raças, sistemas contra sistemas, presidindo a tudo isso essa coisa sinistra que se chama Política? Isso é imemorial, em qualquer período da humanidade sempre predominou, são ódios, sei lá, infinitos?”

O próprio Deus, para ela, não é onipotente, está irremediavelmente e definitivamente sozinho. Deus está na escuridão, o próprio Deus luta, procura, quer alguém que lhe estenda a mão, O ajude, “Por isso coloco Deus de várias maneiras na minha literatura: Deus pode ser a crueldade, a Busca, o indiferente, o que não podemos conhecer.” O ser humano perdeu a alma, na boçalidade da tecnologia moderna, na bestialidade do terrorismo, da violência, do desamor de um ser humano para com o outro, no materialismo assutador. Consequentemente, o ser humano perdeu a noção do sagrado, a perda mais funesta, mais terrivel que lhe podia acontecer. No entanto, há tênues raios de esperança em meio a tanto pessimismo: a sacralidade, ela diz, está em tudo, numa folha de árvore, num canto de parede, em tudo. De repente - acrescenta - uma centelha transmuta por exemplo uma pedra em parte integrante do sagrado ou alguém te traz uma noção de sacralidade perdida, entende? Como a mística judia Simone Weil, que se converteu ao cristianismo e voluntariamente se desfez de todos os seus bens materiais par viver como operária subremunerada, nas linhas de montagem de uma fábrica de automóveis no cinturão industrial de Paris. Ou Albert Schweitzer, embrenhando-se na selva da África para salvar vidas, Martin Luther King, revivendo a tragédia do Cristo, que vem pregar o amor ao próximo e é assassinado torpemente. A Ciência, até a Ciencia chegou a um impasse. O grande físico Heisenberg formulou a teoria da imponderabilidade do conhecimento que o homem possa ter do mundo que o cerca. Bertrand Russel traça paralelos entre o misticismo e a lógica científica, Ernst Becker, o filósofo, e Otto Rank o pensador, ambos norte-americanos, libertam o homem da condenação de ser apenas o efêmero biológico que defeca, copula e morre. Não, a dimensão do ser humano é religiosa, não apenas mecanicista.

Para que escrever, então? Escrever seria um consolo caridoso para o horror de viver no meio de “a thousand natural schocks” que afligem o ser humano desde que nasce até que apodrece? A expressão de Hilda Hilst, o rosto claro, os olhos glaucos, os cabelos louro-avermelhados enrolados num coque despretensioso, muda. Ajeita, inconscientemente a túnica que a faz parecer uma sacertotiza de Isis ou uma adepta do Hinduísmo que adotasse o sari indiano. Olha para a fotografia da mãe e do pai emoldurada na estante; ambos de uma beleza contrastante. Ele de origem francesa, de Lille, provavelmente alemã (em alemão Hülle significa invólucro, capa, envoltório, e Hilst poderia ser uma forma dialetal desse termo). A mãe, de traços acentuadamente latinos, portugueses, de uma meiguice morena, introvertida, aureolada como que de um sentimento de desamparo diante do mundo. “Meu pai – relata a mais perfeita escritora em língua portuguesa viva – meu pai, Apolônio Prado Hilst, nos escritos que minha mãe guardou dele e me deu para ler, se interrogou sobre o que aconteceria à alma na loucura. E tragicamente, mais tarde, submergiu na loucura. Escrever, então, é para mim sentir meu pai dentro de mim, em meu coração, me ensinando a pensar com o coração, como ele fazia, ou a ter emoções com lucidez. Afeto, saudade, coração, mente, compaixão, busca, terror, pessimismo e, paradoxalmente, quem sabe, a esperança de chegar um dia a ter esperança – isso é a Literatura que eu escrevo: acho que ela é para ficções vividas em todos esses níveis e tudo envolto pela pátina (melodia?) da saudade do meu pai. E a Literatura é que me leva a conhecer a nós mesmos que podemos conhecer – e amar – o Outro.” Paralelamente, a Literatura vai desbravando os caminhos que poderão – talvez? – libertar o homem. O homem que NÃO VIVE, amarrado que está por mil tabus, o homem que o psicólogo e filósofo austríaco Wilhelm Reich definiu como preso numa couraça de tradições, de proibições, de medos que o impedem de ser plenamente, o que significa assumir, em toda a sua inteireza, a sua liberdade. A linguagem, além do conhecimento de si e de outrem, é inseparável, portanto, de compreender o próximo, de lhe infundir vida, de ensinar-lhe o meio de atingir a liberdde. Por isso, a linguagem se opõe à política. Por isso, em todos os regimes políticos despóticos, a palavra está sob o peso esmagador da Censura. Nenhum ismo – capitalismo, nazismo, fascismo, marxismo, comunismo, consumismo – tem valor real para o escritor. Todos os sufixos pertencem à esfera da imposição da conduta uniformizadora imposta à força. Como Hilda Hilst repisa, com veêmencia: “O político rasteiro, comezinho, é uma verdade fragmentária, mendaz… Não se pode criar uma noção arrumadinha, publicitária, de Pátria, Congresso, quando a Pátria é, no real profundo e não do real da demagogia dolosa, uma verdade grudada na minha sensibilidade e que nenhum slogan governamental nem partidário poderá jamais expressar!”

Não é descabido enxergar nos últimos livros dela nuances novas, eu não diria de otimismo, mas de atenuação do pessimismo de uns de anos atrás. O texto Tu Não Te Moves de Ti, por exemplo, parte de uma constatação feita por Einstein: a de que, vistos à distância, o presente, o passado e o futuro coincidem num só ponto, no infinito.

Nessa narrativa tripla, os três personagens reproduzem essa confluência prevista pela teoria da relatividade einsteiniana. Tadeu simboliza, grosso modo, a Razão; Matamoros, a Fantasia; e Axelrod, a Proporção, sem que o leitor possa saber ou afirmar que eles existem no plano real ou se são apenas sonhos um do outro. Tadeu, o grande industrial desfila sua vida inútil em meio a um exército de subordinados que o adula, em meio a festas e recepções sociais que nada lhe acrescentam, são apenas uma sombria perda de tempo. O dinheiro, o medo que o dinheiro incute na vida daqueles que dependem dele, o valor interior – tudo o impede de ser outro Tadeu, provavelmente o verdadeiro (como no conto “The Jolly Corner” de Henry James). Mas Tadeu tem o que os místicos do Extremo Oriente chamam de satori, isto é uma iluminação fulgurante e transcendente daquilo que ele “poderia ser” e de tudo o que “não é”. Matamoros vê no erotismo intenso, no gozo absoluto do momento, delirante, totalizante, a essência da vida, do Conhecimento, de uma Permanência que paradoxalmente se manifesta através do que é mortal – e ela morre. Morre também Axelrod, axel vem de axial, de eixo e ele atinge essa hiperlucidez e ultrapassa o Umbral de “ser” em toda a sua plenitude e, cegado por essa iluminação abrasadora, morre também. Tadeu sobreviverá? A autora não esclarece. Ela dispensará a adiposidade de sua vida mecânica e falsa e ousará tentar “ser” mais do que uma casca morta desprezível, mumificada ou submergirá para sempre nessa acomodação a que a mulher o impele como quem comete suavemente um assassinato?

Hilda Hilst ou Hildas Hilst? Porque ela é sempre múltipla. No seu teatro, aborda temas abissais como o fato real do religoso católico (recentemente santificado) Maximilian Kolbe, que num campo de extermínio montado pelos alemães durante a II Guerra Mundial, se oferece para substituir um pai de família numerosa escolhido para morrer de inanição num porão gélido pelos carrascos nazistas. Nove dias dura sua tortura e a dos demais condenados com ele, mas Maximilian Kolbe, literalmente de forma milagrosa, sobrevive com um estoicismo inenarrável, consolando os companheiros de inferno, orando por eles e os animando com a visão da Via Eterna em Cristo

Possivelmente, A Hilda Hilst, soberba poetisa, seja a faceta mais acessível e conhecida da sua múltipla, versátil personalidade criadora. Aí, para a sensibilidade de muitos, deparamos com uma poetisa de vocabulário castiço, fortemente impregnado de lembranças da lírica amorosa de Portugal, desde as medievais “Cantigas de Amigo” até os sonetos de Camões, de Antero de Quental, dos poemas de Cesáro Verde, de Mário de Sá Carneiro e de Fernando Pessoa. Ela fala estranhadamente de amor, de paixão, de júbilo, de esquecimento, de morte, de Deus, da natureza. Como se um ímpeto rilkeano incendiasse a sua grave, interiorizada eloquência lusitana ela junta os mosaicos que a singularizam como uma das supremas poetisas brasileiras, ao lado de Cecília Meireles, Henriqueta Lisboa, Marly de Oliveira:

“Ama-me. É tempo ainda.

Interroga-me.

E eu te direi que o nosso

tempo é agora.

Esplêndida avidez, vasta

aventura

Porque é mais vasto o sonho

que elabora

Há tanto tempo sua própria

tessitura.

Ama-me. Embora eu te

pareça

Demasiado intensa. E de aspereza.

E transitória se tu me repensas.”

Ou, como num haiku de Bashô, o perfeito mestre japonês, três linhas definem o palpitar da lava vulcânica flamejante sob a algidez da neve:

“Minha medida? Amor.

E tua boca na minha

Imerecida.”

Em harmonia com os grande poetas da Grécia antiga e dos poetas barrocos que celebravam o prazer dentro do efêmero de tudo, ela canta:

“Soergo meu passado e meu

futuro.

E digo à boc do Tempo que

os devore.

E degustando o êxito do

Agora

A cada instante me vejo renascendo.

E no teu rosto, Túlio, faz-se

um Tempo

Impossível, justo

Igual à primeira, nova, hora-menina

Quando se morde o fruto.

Faz-se o Presente.

Translúcida me vejo na tua vida…”

A comoção que seus versos despertam pode ser aquilatada na simplicidade do apelo ao amado distante:

“Se for possível, manda-me dizer:

Manda-me dizer, e o paraíso

Há de ficar mais perto, e mais recente

Me há de parecer teu rosto incerto.

Manda-me buscar se tens o dia

Tão longo como a noite. Se é verdade

Que sem mim só vês monotonia

E se te lembras do brilho das marés

De alguns peixes rosados

Numas águas

E dos meus pés molhados, manda-me dizer:

E revestida de luz te volto a ver.”

Ou quando, desassombradamente, pede à Morte que não venha já, mas que espere ainda:

“Morte, minha irmã:

Que se faça mais tarde a tua visita.

Agora nunca. Porque o amor de Túlio

O vermelho da vida pela primeira vez

Se anuncia fecundo. Diante da luz do sol

O meu rosto noturno de poeta te suplica

Que te demores muito contemplando o mundo

Que se detenhas ali, entre a roseira

E o junco,

Ou talves, para teu conforto, assim, te

Estendas à sombra das paineiras, sonolenta.

Morte, contempla. Poupa quem, por amor,

Em tantos versos, também te fez rainha.

Esquece o poeta. Porque o amor de Túlio

O vermelho da vida, pela primeira vez

Secreto, se avizinha.”

A esplêndida poetisa sabe? Receia? Que a Morte virá sufocar o seu canto inacabado: “As grandes palavras/ trancadas e vivas/ no meu peito baço”, mas pressente que alguma coisa de seu permanecerá depois da dissolução do seu eu:

“No coração, no olhar

Quando se tocarem

Pela primeira vez

Aqueles que se amam

Eu estarei.

Nas grandes luas.

Nas tardes.

Nas pequenas canções.

Nos livros

Eu e minha viva morte

Estaremos ali

Pela primeira vez.

Dirão:

Um poeta e sua morte

Estão vivos e unidos

No mundo dos homens.

Na madrugada.

Pela primeira vez

Em amor

Tocada.”

O magnífico visionário, o grande poeta inglês William Blake discerniu misteriosamente”

“To see a World in a Grain of Sand

and a Heaven in a palm of

your hand and Eternity in an hour”

(“Ver o mundo num grão de areia/ E o céu/ numa flor do mato. / Segurar o infinito na palma da tua mão/ E a Eternidade Numa hora”), Hilda Hilst discerne Deus no inesperado, no imprevisível:

“Vou pelos atalhos te sentindo à frente.

Volto porque penso que voltaste,

Alguns me dizem que passaste

Rente a alguém que gritava:

Tateia-me, Senhor,

Estás tão perto

E só percebo ocos

Moitas estufadas de serpentes.

Alguém me diz que esse alguém

Que gritava a mim se parecia.

Mas era mais menina, percebes?

De certo modo mais velha.

Como alguém voltando de guerrilhas

Mulher das matas, filha das ideias

Não eras tu, vadia. Porque o Senhor

Lhe disse: Poeira: estou dentro de ti.

Sou tudo isso, oco, moita

E a serpente de versos da tua boca.

Aos poucos, como a água umedecendo o verde limo e quase imperceptivelmente atravesando o cascalho, o nome de Hilda Hilst cresce, atravessa fronteiras de má vontaade, de inércia, de incompreensão. Para os grandes artistas, o Tempo é a dimensão imóvel, a Arte como a definia perceptivamente Yeats, busca a stasis, o imutável do Êxtase perene. E a cada dia a magnificência da criação literária, filosófica, comportamental, inquiridora dos mais profundos abismos da condição humana que Hilda Hilst nos lega, cresce, recolhe sua voz, íntima, diante de cada noite e a expande, espantosa, a cada esplendor do meio-dia.

Reuso

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Por favor, cite este trabalho como:
Gilson Ribeiro, Leo. (1985) 2022. “A esperança de chegar um dia a ter esperança. Hilda Hilst esta é a literatura que eu escrevo .” In Os escritores aquém e além da literatura: Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Hilda Hilst, edited by Fernando Rey Puente, 2:undefined. Textos Reunidos de Leo Gilson Ribeiro. https://doi.org/10.5281/zenodo.8368806.